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Áudio vazado, denúncia de corrupção e propina: escândalo atinge cúpula do governo Milei

Um áudio gravado por um ex-aliado de Milei acusando de corrupção a irmã do presidente, Karina, vazou para a imprensa e agora está sendo investigado pela Justiça

Publicada em 26/08/2025 às 12:25h - 1571 visualizações ICL Notícias

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Áudio vazado, denúncia de corrupção e propina: escândalo atinge cúpula do governo Milei

Um escândalo vem atingindo a alta cúpula do governo do direitista Javier Milei, na Argentina, nos últimos dias. Um áudio gravado por um ex-aliado de Milei acusando de corrupção a irmã do presidente, Karina, vazou para a imprensa e agora está sendo investigado pela Justiça. Karina Milei é secretária-geral da Presidência na Argentina.

Segundo a denúncia feita por Diego Spagnuolo, ex-chefe da Agência Nacional para a Deficiência (Andis), Karina Milei e o subsecretário de gestão institucional do governo, Eduardo “Lule” Menem, estariam cobrando propina de indústrias farmacêuticas para compra de medicamentos para a rede pública.

“Estão roubando. Você pode fingir que não sabe, mas não joguem esse problema para mim, tenho todos os WhatsApp de Karina”, diz Spagnuolo na mensagem. Diego foi demitido um dia após o vazamento do caso.

O escândalo ganhou repercussão a duas semanas das eleições para a província de Buenos Aires e a dois meses das eleições legislativas na Argentina. Milei pode sair enfraquecido caso as urnas reflitam a queda de aprovação de seu governo nas últimas semanas.

 

Acusações na cúpula do governo Milei

Diego Spagnuolo afirma que existia uma rede de cobrança de propinas na Andis, que exigia até 8% do faturamento das farmacêuticas para garantir contratos com o governo, movimentando cerca de US$ 800 mil mensais (aproximadamente R$ 4,3 milhões).

Segundo ele, Karina Milei ficava com a maior parte desse valor, entre 3% e 4% do total arrecadado, enquanto Eduardo “Lule” Menem seria o principal operador do esquema, com o apoio de empresários ligados à distribuidora Suizo Argentina.

O caso veio à tona após o vazamento de áudios na quarta-feira (20), provocando uma crise inesperada no governo Milei. A repercussão foi imediata: a Justiça argentina abriu investigação, realizou buscas na sede da Andis e na Suizo Argentina, e Spagnuolo acabou demitido no dia seguinte.

Na sexta-feira (22), a Justiça realizou pelo menos 16 buscas, apreendendo celulares, máquinas de contar dinheiro e US$ 266 mil em espécie (cerca de R$ 1,5 milhão). Spagnuolo é um dos cinco réus no processo, que apura suspeitas de suborno, corrupção, administração fraudulenta e violações à ética pública.

O juiz federal Sebastián Casanello, responsável pelo caso, determinou a proibição de saída do país para os investigados, enquanto a perícia analisa quatro celulares apreendidos, incluindo o do próprio Spagnuolo, considerados provas-chave para confirmar ou refutar as acusações. Até o momento, a veracidade dos áudios ainda não foi comprovada pela Justiça.

 

O que diz o governo Milei?

O governo, por sua vez, tenta conter a crise. Javier Milei não se pronunciou diretamente sobre o caso; a demissão de Spagnuolo foi anunciada por um porta-voz, junto com a intervenção da Andis e a promessa de uma auditoria.

Na segunda-feira (25), o presidente apareceu sorridente ao lado da irmã em sua primeira aparição pública após as denúncias, mas evitou comentar as acusações, preferindo criticar o Congresso e a imprensa. Já o chefe de gabinete, Guillermo Francos, afirmou que Milei está “tranquilo” e sugeriu que tudo se trata de perseguição política em meio à campanha eleitoral. Martín Menem, presidente da Câmara dos Deputados e primo de Lule, também saiu em defesa dos acusados, dizendo “ponho as mãos no fogo por Lule Menem e Karina Milei” e classificando os áudios como uma “monumental operação política”.




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